04 maio, 2010

Este não é um anúncio de falecimento

Ano passado, quando estava aqui em Nova Iorque, lembro que influenciado pelo consenso geral eu concordava: mas claro, aqui a fotografia está em todos os cantos da cidade.
Então, o que justifica a ausência de novas fotos no blog?
Minha câmera não pode reclamar... ela tem passeado todos os dias. Já sabe o caminho até o metrô, conhece bem as quadras até o escritório, já fomos várias vezes ao Central Park, ao Chelsea, ao...
É isso, tenho levado ela para passear. Virou rotina voltar pra casa sem nenhuma foto. As vezes, nem da bolsa ela sai. E quando vou sem a bolsa, não muda muito.
Hoje penso que quando essa cidade não desperta o interesse pelo clique, desperta e muito a reflexão, o questionamento do que, o porquê, e como fotografar.
Estou tendo a oportunidade de conhecer e analisar mais de perto o trabalho de vários fotógrafos da Magnum e percebo que isso, até o momento, tem contribuído para aumentar minha hesitação no momento do clique.
Um sujeito que quando entra na sala me faz parar o que estou fazendo para ouvir atentamente é o Bruce Gilden. Esse vídeo mostra um pouco da sua peculiar maneira de fotografar pelas ruas de Nova Iorque. Aí penso: consigo fazer isso melhor do que ele? A resposta por enquanto é NÃO. Se ele executa com tanta propriedade suas fotos nesse estilo, que desenvolveu durante anos, o melhor que eu posso fazer é tentar encontrar um outro estilo, que um dia, quem sabe, alguém possa reconhecer minhas imagens em função disso. E aqui, mais do que nunca, quero usar a palavra imagens e não fotografias. Muitos fotógrafos da Magnum estão realizando seus projetos captando também em vídeo. E é com esse material que estamos trabalhando na Magnum in Motion. (Em breve espero colocar aqui o link de três vídeos que editei com imagens do Larry Towell no Afeganistão).
Paralelo a isso, estive em dois eventos na B&H (um com o fotógrafo de publicidade Yuri Arcurs e outro com o retratista Kareem Black) e ambos praticamente foram obrigados (em função dos questionamentos da platéia) a explicarem como inseriram o vídeo nos seus fluxos de trabalho (o Kareem chegou a dizer que 50% dos projetos que realiza atualmente envolvem captura em vídeo). Ninguém se arrisca a dizer aonde isso vai parar, mas por aqui entre os fotógrafos a opinião é quase unânime: não dá para ficar de fora.
Enfim, tudo isso para dizer que, provavelmente, meus próximos passos serão nessa direção.

Pra finalizar, deixo uma foto que pelo menos umas 2 mil pessoas devem ter feito no último sábado. Essa é apenas mais uma.

5 comentários:

Danilo disse...

Assim vc me confunde, vc voltou a morar em NY, é isso?

Eu entendo isso que vc está passando, acho que a gente acaba ficando cada vez mais exigente... antes eu fotografava qualquer coisa, hoje seguro o dedo e estudo mais. Vc ao lado de gente como vc citou, pior ainda...

Abs
Danilo

Carlos Gandara disse...

Fala Bada!
Faz tempo que não falamos.
Não existe mais MSN nos EUA?
Tenho boas pra te contar do ATACAMA.
Mas o Atacama é fotinho perto do que ví no vídeo agora.
abraços
ganda

Leandro Badalotti disse...

Ganda
pra ter uma ideia melhor do trabalho do Bruce (já que estamos falando do que NÃO é fotinho), recomendo mais um vídeo:
Tough Guys
http://inmotion.magnumphotos.com/essay/gangster-types-and-tough-guys

Paz disse...

Olhar (e VER) é mais importante do que fotografar, a foto já está em tua retina quando a câmera clica - o que é secundário. Logo não fica te culpando, estás fazendo o que é certo.

Jozé de Abreu disse...

Bada, estou desde ontem fuçando seu blog. Acho que vi tudo, li tudo. Virei fã das suas belas fotos e das sua histórias.
Grande abraço!