24 setembro, 2010

Retratos Criare

Nesse mês começa a circular pelo Brasil uma campanha da Criare. Cada peça é composta por uma foto de ambiente e um retrato.
Foi especialmente interessante fazer as fotos de pessoas. Todas externas, tomei coragem e levei apenas equipamentos portáteis (flashes Speedlite Canon), gelatinas e sombrinhas.
Jogo rápido e diversão, se comparado aos quilos de equipamentos, cabos e a demora dos ambientes.


Nessa foto: Nelson Luiz Rech

A produção ficou por conta da agência MultiGuia Comunicação, figurinos e maquiagem Isabel Fahrion, e assistência de fotografia Paulo Scola.


Nessa foto: Akemi Inamoto




Nessa foto: Marcelo Zuliau
e
Carlos Michelin e Henrique Rombaldi Clamer.

15 setembro, 2010

Who Am I?

Provavelmente quem frequenta esse blog já conhece o projeto Who are you?
Então vou usar o espaço para explicar um pouco como essa história nasceu.

Na época eu passava oito horas por dia no ambiente peculiar da Magnum In Motion, acompanhando trabalhos incríveis, de fotógrafos consagrados, e envolvido num grande projeto sobre o Afeganistão, do fotógrafo Larry Towell. Preciso dizer que o ritmo de trabalho era algo que nunca havia experimentado em nenhuma circunstância da minha vida profissional. Um exemplo é a história da fonte que usamos pra esse projeto: foi mais de uma semana exclusivamente pesquisando, testando, falando com designers de fontes, até chegar nessa aí, que foi usada para abrir e assinar todos os cinco trailers do projeto Larry Towell : Afghanistan.



Já sobre a edição em si, lembro que para alguns dos vídeos eu tinha mais de 10 versões diferentes no Final Cut. E ao invés daquela sensação de: ah, agora estragou tudo. antes estava melhor...
o que acontecia era o contrário, um sentimento de estar evoluindo pouco a pouco em cada nova versão. O Adrian (Kelterborn), diretor do departamento multimídia, é o tipo de cara que em uma semana conseguiu me ensinar mais sobre edição do que tudo aquilo que eu já havia aprendido nos últimos anos. Por isso que ouví-lo, discutir, e aplicar as sugestões davam aquela sensação de voltar pra casa no final do dia sabendo um pouco mais do que sabia pela manhã. Nem sempre era simples ou rápido, mas comparar o resultado das últimas versões com as primeiras ficava evidente a evolução.

Pois bem, somado a isso haviam os colegas que já mencionei aqui, o Marco e a Michelle, com seus projetos pessoais, suas referências, e sempre dispostos e trocar ideias e ouvir as dúvidas daquele que ainda não havia encontrado o seu projeto pessoal em NYC.
E uma pergunta que a Michelle sempre repetia, diante de qualquer coisa, me acompanhou muito durante a concepção do projeto: Quantas camadas você consegue visualizar nessa ideia?

Eu sempre soube que meu ponto de interesse estava nas ruas, nas pessoas. Isso é resultado direto daquela clássica sensação de se achar perdido e estranho num lugar novo e tão diferente de casa.
E o ambiente que mais me surpreendia era justamente o metrô.
Porque ali circulam milhares de pessoas, dividindo o mesmo espaço, fazendo aqueles minutos se tornarem parte da rotina de vários dias da semana, e parecia que nada conseguia abalar o individualismo e a aparente ausência de atenção/curiosidade pela pessoa ao lado. Os livros, jornais, e-readers, iPods contribuem pra isso, lógico. Mas eu também acho que no fundo, parte dessas pessoas têm sim algum interesse em saber quem é, afinal, a pessoa ali da frente, pra onde ela está indo, porque está carregando esse cachorro...?


Brynna

e onde será que esse camarada dormindo deve descer?


Daniel

e quais as histórias dessas tatuagens?


Mel T.

Foram necessárias várias abordagens frustradas, ideias abandonadas pelo caminho, novas descobertas apareciam em cada novo personagem, e noites e mais noites editando e revendo para encontrar qual a história de cada um. Sempre acreditei que para formatos como esse o que funciona melhor não é tentar apresentar a biografia de um personagem, e sim desenvolver uma história, encontrar um assunto que seja mais relevante em sua vida e narrá-lo através do depoimento e das imagens.

O fotógrafo Gilberto Tadday foi a primeira pessoa que viu o projeto. Disso nasceram encontros pra troca de opiniões e algumas de suas sugestões foram aplicadas aqui. Além do incentivo, que no início, diante das dificuldades e sem saber ao certo o que buscava com isso tudo, foram muito importantes.

Em outubro espero trazer novos episódios. Personagens interessantes é o que não falta naquela cidade.

22 junho, 2010

Mesa atrás da cozinha

Última semana de estágio na Magnum.
Hoje pela manhã Josef Koudelka (full Member desde 1974) discute algumas de suas fotos com Chien-Chi Chang (full Member desde 2001).
Koudelka pra mim: "Uma foto e só!"
Depois do 4º clique, ele me fez sair correndo.

12 junho, 2010

04 maio, 2010

Este não é um anúncio de falecimento

Ano passado, quando estava aqui em Nova Iorque, lembro que influenciado pelo consenso geral eu concordava: mas claro, aqui a fotografia está em todos os cantos da cidade.
Então, o que justifica a ausência de novas fotos no blog?
Minha câmera não pode reclamar... ela tem passeado todos os dias. Já sabe o caminho até o metrô, conhece bem as quadras até o escritório, já fomos várias vezes ao Central Park, ao Chelsea, ao...
É isso, tenho levado ela para passear. Virou rotina voltar pra casa sem nenhuma foto. As vezes, nem da bolsa ela sai. E quando vou sem a bolsa, não muda muito.
Hoje penso que quando essa cidade não desperta o interesse pelo clique, desperta e muito a reflexão, o questionamento do que, o porquê, e como fotografar.
Estou tendo a oportunidade de conhecer e analisar mais de perto o trabalho de vários fotógrafos da Magnum e percebo que isso, até o momento, tem contribuído para aumentar minha hesitação no momento do clique.
Um sujeito que quando entra na sala me faz parar o que estou fazendo para ouvir atentamente é o Bruce Gilden. Esse vídeo mostra um pouco da sua peculiar maneira de fotografar pelas ruas de Nova Iorque. Aí penso: consigo fazer isso melhor do que ele? A resposta por enquanto é NÃO. Se ele executa com tanta propriedade suas fotos nesse estilo, que desenvolveu durante anos, o melhor que eu posso fazer é tentar encontrar um outro estilo, que um dia, quem sabe, alguém possa reconhecer minhas imagens em função disso. E aqui, mais do que nunca, quero usar a palavra imagens e não fotografias. Muitos fotógrafos da Magnum estão realizando seus projetos captando também em vídeo. E é com esse material que estamos trabalhando na Magnum in Motion. (Em breve espero colocar aqui o link de três vídeos que editei com imagens do Larry Towell no Afeganistão).
Paralelo a isso, estive em dois eventos na B&H (um com o fotógrafo de publicidade Yuri Arcurs e outro com o retratista Kareem Black) e ambos praticamente foram obrigados (em função dos questionamentos da platéia) a explicarem como inseriram o vídeo nos seus fluxos de trabalho (o Kareem chegou a dizer que 50% dos projetos que realiza atualmente envolvem captura em vídeo). Ninguém se arrisca a dizer aonde isso vai parar, mas por aqui entre os fotógrafos a opinião é quase unânime: não dá para ficar de fora.
Enfim, tudo isso para dizer que, provavelmente, meus próximos passos serão nessa direção.

Pra finalizar, deixo uma foto que pelo menos umas 2 mil pessoas devem ter feito no último sábado. Essa é apenas mais uma.

09 abril, 2010

Marco Gualtieri


Conheci o Marco no estágio da Magnum in Motion - somos colegas.
Ele tem 4 anos de Nova York e está há 4 meses na MiM.
Hoje durante o almoço conversamos sobre um de seus projetos que ainda está em andamento. Fui conferir mais tarde, e achei fascinante.
Ano passado ele entrou em contato com uma organização não-governamental - baseada aqui em Staten Island - a The Global Medical Relief Fund.
Entre as pessoas que eles ajudam, o Marco selecionou duas histórias. O link a seguir é sobre um jovem iraquiano que perdeu a perna numa explosão de carro bomba em Falluja. Através dessa organização o garoto e sua mãe se mudaram para os Estados Unidos, conseguiram casa, uma prótese, e o Marco vem registrando isso tudo em fotografias muito bacanas.
O projeto agora pretende acompanhar sua adaptação - jovem muçulmano vindo do Iraque - para a sociedade americana.

The Road Ahead / I. Mohamemd

31 março, 2010

Mallary - óculos #14

Lá vou eu denovo tentar falar sobre processo criativo:
sabe a camiseta que você nem vê nessa foto?
Pois é, foi olhando pra ela que tive a ideia de usar as luzinhas de Natal. No início pensei em colocá-las de fundo, riscadas e desfocadas. Aí a Mallary sugeriu de vestir as lâmpadas, como se fosse um colar. A mesma camiseta apontou qual óculos seria utilizado (ambos tinham tons frios predominantes) e a partir disso, colocar a gelatina azul na frente do flash (que disparava na 2ª cortina, com câmera em baixa velocidade) foi uma consequência natural.
Nos primeiros cliques achava que deveria haver uma relação direta entre a camiseta e todo o resto. Por isso o quadro era mais aberto, e as mãos não escondiam a roupa.
Mas talvez influenciado pelo ritmo da música (claro, foto assim tem que ter música) acabamos explorando as mãos. Deu nisso.
Ou seja, tudo começou com um elemento que na foto escolhida, nem aparece.

30 março, 2010

Mallary - óculos #13

Aqui vai algo inusitado:
numa parede, entre a cozinha e a sala, a Mallary decorou a casa com aproximadamente umas 15 fotos - páginas inteiras - de revistas variadas. Todas as imagens são anúncios ou reportagens de moda. Mas bem no meio dessa colagem, temos o retrato de nosso amigo Clint Eastwood.
Infelizmente não encontrei o crédito dessa foto. Se alguém souber, por favor comente.
Conforme mencionei dias atrás, nessa fase os óculos já não recebem o destaque de antes. O mundo ao redor parece mais interessante.



Caught

Push
Push

Tangled and wrapped
in a web I cannot unwind

Lie
Lies

I tell everyday
to get away.
They only slither

Tighter
Tighter

choking me
If I let just
one
slip
I will fall away, free--
All will unravel. But

it will be your
heart that is broken

Not
mine

Mallary Anderson
2008

29 março, 2010

Mallary - óculos #12

Além da coleção de óculos, a Mallary trouxe para cá também a sua gata.
E vou confessar, essa foi a foto mais complicada da série. Conseguir acalmar o bicho com esses óculos na cabeça levou mais de meia hora.



A poesia escolhida foi escrita para a avó dos chás.


Bangarang

How do you describe someone
Who has made you who you are,
Someone who has painted
the Gold in your soul,
and brushed each stroke of
color that fulfills your life.

How do you thank someone
For helping you to see,
Who sprinkled magic fairy dust
So you could fly away,
Who read to you of worlds beyond,
To brighten up your own.

How do you tell someone you love her
For the tiny things she’s done,
The night “Tally Po” became a nightmare,
The time when thunder and lightening
Shattered the serenity.
Each time she was there,
To help you be brave.

This is how I’ll she you Nan,
That I will never forget
The times we spent through all the years,
In the cellar,
Painting, laughing, creating.

I’ll live my life through enchanted eyes,
Knowing you are always there,
To be my Tabbitha Cat.

Mallary Anderson
2005

24 março, 2010

Mallary - óculos #11

A fase vamos ali ao lado fazer uma foto rapidinho está oficialmente encerrada.
Iniciamos com esta uma série de imagens temáticas: o foco é a situação, o ambiente - ou como diria Danilo Russo, a historinha - e não mais simplesmente a Mallary de óculos.
Não lembro se foi antes, durante ou depois da jalapeño, mas tenho certeza que foi naquela noite. Assim que coloquei os olhos na camisa xadrez, pensei no Terry. E aí, já viu... dispensei a sombrinha, tripés, o conceito de luz lateral, e coloquei o flash em cima da câmera.
Ali percebi que poderia tentar uma desconstrução da Mallary. Sobrexpôr valendo o flash, com gelatina azul (1/2 CT Blue), disparando na 2ª cortina, baixa velocidade de obturador (1/7), lente em grande angular, WB em 2500K. Ou seja, fazer tudo errado.
A poltrona que foi omitida na foto do Charles e nas fotos da Thamyris e do Brian aqui funcionou para moldar o corpo da Mallary. De repente, ela puxa da bolsa o que - para mim - é o mais grave desvio de personalidade até o momento: assim como todas as nossas tias, ela também tem uma SONY Ciber-shot. Ok, pra essa cena valeu.

Pedi que escolhece um de seus textos para a foto. Na tarde de ontem, durante a provável última nevasca da temporada, escreveu isso:




Sitting in a hut atop a mountain peak


rather cold, but glad for the tiny space heater and free
hot chocolate. When I arrived, the door was snowed
shut-- it hasn't stopped snowing yet. I cannot see
the distant mountains, barely the back Flyer. With only
music as company, I nod and sway to Bono's voice
and wonder where exactly to go "When the Stars Go
Blue." My book of poetry sits open before me, but I find
it difficult to become inspired. Funny, when I sit at the top
of Chili Express, I feel I could write a great American novel,
or a catchy song that would transcend region, culture, creed--
and give voice to the exact splendor spread ten thousand
feet below me. Yet here I am now, in the shelter
of the photo hut, pleasantly warm and fed, without
the slightest notion of inspiration. I will press on, though,
to find that hint, that trigger which will propel ideas
and dreams beyond space heaters, snowed shut shacks
and bored mountain photographers.

Mallary Anderson
24 de Março de 2010