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15 setembro, 2010

Who Am I?

Provavelmente quem frequenta esse blog já conhece o projeto Who are you?
Então vou usar o espaço para explicar um pouco como essa história nasceu.

Na época eu passava oito horas por dia no ambiente peculiar da Magnum In Motion, acompanhando trabalhos incríveis, de fotógrafos consagrados, e envolvido num grande projeto sobre o Afeganistão, do fotógrafo Larry Towell. Preciso dizer que o ritmo de trabalho era algo que nunca havia experimentado em nenhuma circunstância da minha vida profissional. Um exemplo é a história da fonte que usamos pra esse projeto: foi mais de uma semana exclusivamente pesquisando, testando, falando com designers de fontes, até chegar nessa aí, que foi usada para abrir e assinar todos os cinco trailers do projeto Larry Towell : Afghanistan.



Já sobre a edição em si, lembro que para alguns dos vídeos eu tinha mais de 10 versões diferentes no Final Cut. E ao invés daquela sensação de: ah, agora estragou tudo. antes estava melhor...
o que acontecia era o contrário, um sentimento de estar evoluindo pouco a pouco em cada nova versão. O Adrian (Kelterborn), diretor do departamento multimídia, é o tipo de cara que em uma semana conseguiu me ensinar mais sobre edição do que tudo aquilo que eu já havia aprendido nos últimos anos. Por isso que ouví-lo, discutir, e aplicar as sugestões davam aquela sensação de voltar pra casa no final do dia sabendo um pouco mais do que sabia pela manhã. Nem sempre era simples ou rápido, mas comparar o resultado das últimas versões com as primeiras ficava evidente a evolução.

Pois bem, somado a isso haviam os colegas que já mencionei aqui, o Marco e a Michelle, com seus projetos pessoais, suas referências, e sempre dispostos e trocar ideias e ouvir as dúvidas daquele que ainda não havia encontrado o seu projeto pessoal em NYC.
E uma pergunta que a Michelle sempre repetia, diante de qualquer coisa, me acompanhou muito durante a concepção do projeto: Quantas camadas você consegue visualizar nessa ideia?

Eu sempre soube que meu ponto de interesse estava nas ruas, nas pessoas. Isso é resultado direto daquela clássica sensação de se achar perdido e estranho num lugar novo e tão diferente de casa.
E o ambiente que mais me surpreendia era justamente o metrô.
Porque ali circulam milhares de pessoas, dividindo o mesmo espaço, fazendo aqueles minutos se tornarem parte da rotina de vários dias da semana, e parecia que nada conseguia abalar o individualismo e a aparente ausência de atenção/curiosidade pela pessoa ao lado. Os livros, jornais, e-readers, iPods contribuem pra isso, lógico. Mas eu também acho que no fundo, parte dessas pessoas têm sim algum interesse em saber quem é, afinal, a pessoa ali da frente, pra onde ela está indo, porque está carregando esse cachorro...?


Brynna

e onde será que esse camarada dormindo deve descer?


Daniel

e quais as histórias dessas tatuagens?


Mel T.

Foram necessárias várias abordagens frustradas, ideias abandonadas pelo caminho, novas descobertas apareciam em cada novo personagem, e noites e mais noites editando e revendo para encontrar qual a história de cada um. Sempre acreditei que para formatos como esse o que funciona melhor não é tentar apresentar a biografia de um personagem, e sim desenvolver uma história, encontrar um assunto que seja mais relevante em sua vida e narrá-lo através do depoimento e das imagens.

O fotógrafo Gilberto Tadday foi a primeira pessoa que viu o projeto. Disso nasceram encontros pra troca de opiniões e algumas de suas sugestões foram aplicadas aqui. Além do incentivo, que no início, diante das dificuldades e sem saber ao certo o que buscava com isso tudo, foram muito importantes.

Em outubro espero trazer novos episódios. Personagens interessantes é o que não falta naquela cidade.

22 junho, 2010

Mesa atrás da cozinha

Última semana de estágio na Magnum.
Hoje pela manhã Josef Koudelka (full Member desde 1974) discute algumas de suas fotos com Chien-Chi Chang (full Member desde 2001).
Koudelka pra mim: "Uma foto e só!"
Depois do 4º clique, ele me fez sair correndo.

12 junho, 2010

Sem título

Algumas imagens não merecem explicação.
Essa é uma delas.

04 maio, 2010

Este não é um anúncio de falecimento

Ano passado, quando estava aqui em Nova Iorque, lembro que influenciado pelo consenso geral eu concordava: mas claro, aqui a fotografia está em todos os cantos da cidade.
Então, o que justifica a ausência de novas fotos no blog?
Minha câmera não pode reclamar... ela tem passeado todos os dias. Já sabe o caminho até o metrô, conhece bem as quadras até o escritório, já fomos várias vezes ao Central Park, ao Chelsea, ao...
É isso, tenho levado ela para passear. Virou rotina voltar pra casa sem nenhuma foto. As vezes, nem da bolsa ela sai. E quando vou sem a bolsa, não muda muito.
Hoje penso que quando essa cidade não desperta o interesse pelo clique, desperta e muito a reflexão, o questionamento do que, o porquê, e como fotografar.
Estou tendo a oportunidade de conhecer e analisar mais de perto o trabalho de vários fotógrafos da Magnum e percebo que isso, até o momento, tem contribuído para aumentar minha hesitação no momento do clique.
Um sujeito que quando entra na sala me faz parar o que estou fazendo para ouvir atentamente é o Bruce Gilden. Esse vídeo mostra um pouco da sua peculiar maneira de fotografar pelas ruas de Nova Iorque. Aí penso: consigo fazer isso melhor do que ele? A resposta por enquanto é NÃO. Se ele executa com tanta propriedade suas fotos nesse estilo, que desenvolveu durante anos, o melhor que eu posso fazer é tentar encontrar um outro estilo, que um dia, quem sabe, alguém possa reconhecer minhas imagens em função disso. E aqui, mais do que nunca, quero usar a palavra imagens e não fotografias. Muitos fotógrafos da Magnum estão realizando seus projetos captando também em vídeo. E é com esse material que estamos trabalhando na Magnum in Motion. (Em breve espero colocar aqui o link de três vídeos que editei com imagens do Larry Towell no Afeganistão).
Paralelo a isso, estive em dois eventos na B&H (um com o fotógrafo de publicidade Yuri Arcurs e outro com o retratista Kareem Black) e ambos praticamente foram obrigados (em função dos questionamentos da platéia) a explicarem como inseriram o vídeo nos seus fluxos de trabalho (o Kareem chegou a dizer que 50% dos projetos que realiza atualmente envolvem captura em vídeo). Ninguém se arrisca a dizer aonde isso vai parar, mas por aqui entre os fotógrafos a opinião é quase unânime: não dá para ficar de fora.
Enfim, tudo isso para dizer que, provavelmente, meus próximos passos serão nessa direção.

Pra finalizar, deixo uma foto que pelo menos umas 2 mil pessoas devem ter feito no último sábado. Essa é apenas mais uma.

09 abril, 2010

Marco Gualtieri


Conheci o Marco no estágio da Magnum in Motion - somos colegas.
Ele tem 4 anos de Nova York e está há 4 meses na MiM.
Hoje durante o almoço conversamos sobre um de seus projetos que ainda está em andamento. Fui conferir mais tarde, e achei fascinante.
Ano passado ele entrou em contato com uma organização não-governamental - baseada aqui em Staten Island - a The Global Medical Relief Fund.
Entre as pessoas que eles ajudam, o Marco selecionou duas histórias. O link a seguir é sobre um jovem iraquiano que perdeu a perna numa explosão de carro bomba em Falluja. Através dessa organização o garoto e sua mãe se mudaram para os Estados Unidos, conseguiram casa, uma prótese, e o Marco vem registrando isso tudo em fotografias muito bacanas.
O projeto agora pretende acompanhar sua adaptação - jovem muçulmano vindo do Iraque - para a sociedade americana.

The Road Ahead / I. Mohamemd

10 julho, 2009

Recordar é viver












No dia 9 de abril publiquei este post: Gilberto e o Chelsea, sobre o encontro com o fotógrafo Gilberto Tadday num café em Nova York.
Naquela noite, enquanto atualizava o blog na recepção do hostel, recebi um email do Gilberto me convidando para acompanhar um trabalho que ele iria realizar na manhã seguinte.
Vou contar agora uma das melhores histórias sobre os dias que passei em Nova York. A manhã do dia 10 de abril.

O trabalho era para a Revista Exame, da Editora Abril.
A revista solicitou ao Gilberto algumas fotos (externas) com Steve Vachani, um empreendedor canadense, filho de indianos, fundador da empresa Power.com que está situada no Brasil, e fecha os principais contratos nos Estados Unidos. Steve estava de passagem por Nova York naqueles dias.
O Gilberto agendou as fotos para às 11h. Nós marcamos de nos encontrar às 10h, na primeira estação de metrô do Brooklyn. Ansioso, e sem saber quanto tempo o metrô levaria, cheguei lá antes das 9 e meia.
Por cerca de 1 hora, caminhamos pelas ruas próximas do Dumbo, que fica na beira do rio entre as pontes Brooklyn e Manhattan. Essa caminhada serviu pro Gilberto decidir em quais locais iria posicionar o Steve. A intenção era oferecer pra revista 3 ou 4 cenários diferentes, mas sempre com o ambiente Nova York ao fundo.
Definidos os pontos, fomos esperar o Steve na saída do metrô.
O céu estava completamente nublado, num quase branco sem textura. Gilberto me disse que nessas situações externas, com pessoas, utiliza com freqüência 2 flahshes Nikon SB-800 montados em tripés. Primeiro, ele fotometrou apenas o fundo (deixando-o levemente subexposto) para uma velocidade de 250 - que é a velocidade máxima de sincronismo de flash com a câmera. Usando uma Nikon D700, começou com uma lente fixa 50mm. Enquanto o Steve tomava seu café da manhã na calçada (um iogurte), Gilberto ajustava os flashes, usando a potência em manual e eu como modelo. Aquele que funcionou como contra luz foi usado direto (sem acessório), e o outro - a aproximadamente 45º - foi suavizado com uma sombrinha branca, que eu segurava pro tripé não sair voando. Lembro que para essas primeiras fotos, ele me pedia para avançar com o flash no limite do quadro, quase entrando na cena.
Para disparar os flashes, ele usa um sistema de sincronismo por rádio da marca PocketWizard.
A reportagem, de página dupla, saiu na edição nº 941 da Exame, de 22 de abril deste ano. Lá eles publicaram apenas 1 foto. Aqui, com autorização do Gilberto, coloco uma de cada cenário.

Para quem ainda não conhece o site do Gilberto, recomendo muito a visita.
Ele também é um dos responsáveis pelo PicturaPixel, site muito bacana (ops, revista eletrônica, como eles chamam) dedicado a fotografia, com muitos artigos interessantes.
E acaba de ser lançado pela Editora Europa o livro O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro em 2008, onde o Gilberto é um dos selecionados.
Eu sei que para ele, este foi mais um trabalho. Mas estar lá assistindo tão de perto a maneira como ele conduziu a sessão de fotos, foi inesquecível.

07 junho, 2009

Infinito azul

Essa não é inédita. Já apareceu aqui em 31 de março, no primeiro post sobre Nova York. O que mudou de lá para cá é que agora ela tem um título, inspirou meu amigo Cesar Dambros a escrever um texto e ontem recebi por ela minha primeira menção honrosa em Bienal, realizada pela Confederação Brasileira de Fotografia. (As 3 primeiras colocadas você pode ver aqui).
Fiquei pensando na situação... o simples fato de algumas pessoas elogiarem uma fotografia, ou esta receber algum tipo de premiação, pode mudar a íntima relação que o próprio fotógrafo tem com sua obra?
Eu confesso que comecei a mudar de opinião em relação a essa imagem quando li este texto:

O infinito, depois da luz
Lembro-me da primeira vez que abri um álbum duplo de vinil, revelando no interior da capa um universo de imagem escondido, sagrado, maior.
Ao olhar para essa imagem, de imediato voltei às duas abas de capas que se entreabriam, guardando um disco em cada lado e meu olhar em seu miolo.
E esse azul todo, quão longe me pode levar?
A luz nas árvores me parecem dizer de veias vegetais, como se visse as raízes das plantas numa imagem invertida.
Enquanto isso, a vida passa em pessoas que por ali passam mas são incapazes de ver o que esse olhar flagrou, porque tem nos seus olhares a pressa e, em seus corações, a lógica.
Mesmo a luz não se atreveu a desvendar o magistral silêncio que se desenhou pralém das formas e conteve-se em dar vida apenas às árvores e as pessoas.
Então, do silêncio de todo esse azul, te quero chamar de muitas formas diferentes mas, me consumo junto no matiz de sua profundidade primária e infinita.
Pois dentro de todo esse azul, todas as cores de minha imaginação renascem crianças e reinventam segredos.
E as pessoas continuarão a passar por ti, até mesmo enquanto foto, e não te perceberão.

Cesar Dambros

12 abril, 2009

Central Park 2.0



















Hoje caminhei pelo lado do parque que ainda não conhecia. Domingo de sol. Temperatura agradável. O dia voou. Pra finalizar, jantei na Le Pain Quotidien, há 2 quadras do parque. Sopa, pão e uma taça de Sirah rose. Uma vida de cachorro (como diria um ex-chefe).

11 abril, 2009

Linhas





Do topo do Rockefeller Center, numa manhã ensolarada.

Estranha beleza







Ontem fui no International Center of Photography e vi duas exposições incríveis.
No primeiro andar, Weird Beauty: Fashion Photography Now. É uma coletânea de fotos que foram publicadas entre 2006 e 2008, em revistas de moda na Europa (principalmente França e Inglaterra) e revistas americanas. São imagens de editoriais e anúncios de marcas famosas. A exposição apresenta as páginas como foram publicadas, e não apenas a foto numa moldura.
Nunca pensei que fosse achar o Terry Richardson um sujeito careta. Claro que tem fotos dele na exposição, mas não estão entre as mais estranhas.

E no andar de baixo, Edward Steichen: In High Fashion, The Condé Nast Years, 1923–1937. Muitos retratos para Vogue e Vanity Fair. Trabalhos de uma época que só se fotografava em grande formato, muita luz contínua, e de terno e gravata (o fotógrafo, não o fotografado).

Na ordem:
Miles Aldridge. Spot the Fake #1 (Published: New York Times, T Magazine), 2006.
Steven Klein. Untitled, 2008.
Edward Steichen. Model Marion Morehouse and unidentified model wearing dresses by Vionnet, 1930.
Edward Steichen. Model Marion Morehouse in a bouffant dress and actress Helen Lyons in a long sleeve dress by Kargère; masks by the illustrator W.T. Benda, 1926.

09 abril, 2009

Acontece no Chelsea

Resolvi colocar mais uma foto desse cara porque acabo de descobri que ele é um artista plástico: Bernd Naber.

Gilberto e o Chelsea





Hoje tive a oportunidade de bater um papo com o fotógrafo Gilberto Tadday.
Procurei o Gilberto semanas atrás, em função de um texto seu que li no site PicturaPixel, e gentilmente ele sugeriu um café no Chelsea.
Porto-alegrense, morador de NYC há 6 anos, fotógrafo freelancer e um sujeito muito paciente em ouvir os dilemas de um conterrâneo. E muito generoso também, ao falar sobre sua trajetória e aquela eterna busca por algo diferente. Ouví-lo me fez um bem enorme.
Após o café, aceitei sua sugestão e caminhei algumas quadras pelo bairro. Várias galerias e muita gente topando aparecer nas fotos. Final de semana vou tentar voltar para lá, com mais tempo.

06 abril, 2009

Pontos turísticos





> Até onde estou sabendo, não houve nenhum ataque terrorista em NYC neste domingo. CNN e New York Times não noticiaram nada em seus sites. E a família francesa, se viu a fumaça, não deu muita importância.
> Garoto diante da American flag, no Museu da Imigração de Ellis Island.
> E finalmente a Manhattan Bridge. Espremido entre dezenas de outros fotógrafos (dezenas, mesmo) câmera apoiada na cerca, em f/2.8 e 1/10. Um clichê irresistível.

04 abril, 2009

Rachel no museu







Sábado à tarde, Metropolitan lotado. Num canto encostada junto à parede, conheci Rachel fazendo seu trabalho sobre perspectivas.
Ela perguntou se eu era artista.
Vendo a garota desenhando com tanta facilidade, respondi: -Ainda não sei.
Só pela pergunta, ela merece um grão a la TMAX 3200.
Photoshop, mas o que vale é a intenção.

Manhã no parque

















5 horas e meia no Central Park, e só cheguei na metade.
Claro, parando a cada instante. Pra onde quer que se olhe sai uma foto.
Na próxima semana espero conhecer o resto.