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04 março, 2009

A raspa do tacho da viagem à Albuquerque











Frase do amigo e filósofo Carlos Gandara que resume com perfeição o momento que estou vivendo com a fotografia, e com essas últimas imagens em especial:
Enquanto eles estão se enamorando da fotografia, nós estamos desconfiados de que ela está nos traindo.

02 março, 2009

6 horas no carro - Parte II











Semana passada recebi um email do Ricardo, meu professor de inglês em Caxias, e lá pelas tantas ele contou que havia assistido o filme 'Onde os fracos não tem vez' (ganhador do Oscar de melhor filme no ano passado.)
Certamente, isso me ajudou a ver o cenário da viagem de uma certa maneira.
Há aproximadamente 1 ano atrás, na sala de cinema, a fotografia desse filme havia me chamado muito a atenção. A história se passa no Texas, estado vizinho aqui do Novo México.
Eu lembrava de imagens sem muitas cores, tons pastéis, céu às vezes completamente branco, ou num azul extremamente tímido. E até, vejam só, planos com o horizonte bem no meio do quadro.
Então muda tudo. Balanço de branco para sombra, baixa saturação e baixo contraste.
Usei prioridade de velocidade, em 320 (como estava no carro sempre em movimento) e compensação de +0.7.
As primeiras 4 imagens, lá em cima, são frames extraídos de cenas do filme.
O restante, são as fotos que mesmo com aqueles ajustes na máquina, precisaram receber um bom processamento de cores no Lightroom, para chegar nos tons do filme.
Nos próximos dias, colocarei outras fotos desse 'passeio' de 6 horas, que certamente serviu para refrescar meus olhos.
Um cenário e tanto.

6 horas no carro - Parte I


No último sábado, terminou a temporada pra Renata, irmã do Alex que também estava por aqui trabalhando. Já que ele a levaria ao aeroproto de Albuquerque (3 horas de viagem), me escalei para ir junto, afinal era a oportunidade de ver um novo cenário.
Saímos às 5:45 da manhã, e quando passamos em frente ao International Bank o termômetro registrava 9º Fahrenheit (o que dá 12,7º Celsius negativos).
Enquanto contornávamos as montanhas para deixar Angel Fire, no carro tocava a trilha de abertura da série CSI Nova York (The Who - Baba O'Riley).
Então:
dia amanhecendo + frio + CSI me leva à baixa velocidade e imagem azulada.
Coloquei o balanço de branco para fluorescente, alta saturação, alto contraste, e em f10 e 1 segundo de exposição, nasceu isso aí.
Mas em menos de 30 minutos, um mundo bem diferente surgiu.
E aí, foi hora de mudar o conceito.
No próximo post, conheça 'Onde os fracos não tem vez'.

30 janeiro, 2009

28 de janeiro de 2009
















Não sei quando esse texto será publicado no blog, mas sei o porque e como estou escrevendo. Estou no último vagão de um trem praticamente vazio. Há lugares para umas 60 pessoas por vagão. Estamos em 3 neste aqui. Já escureceu há umas 2 horas. O silêncio é quase assustador.
Acabei de jantar, uns 3 vagões a frente. Sentei com um casal que não falou uma palavra. Peito de frango com legumes e purê. De sobremesa, sorvete. E uma garrafa d'água.

O trem partiu às 14hs de Glenwood Springs para Denver. Se tudo ocorrer bem, o Alex deve estar me esperando na estação de Denver, daqui a 1 hora. De lá, seguiremos de carro até sua casa em Angel Fire, no Novo México.

Acredito que muitos acontecimentos, no decorrer da vida, vão moldando nossa personalidade.
Mas me parece difícil conseguir apontar, depois de um tempo, quais foram exatamente os acontecimentos mais relevantes, ou ainda, quais foram os dias mais importantes para a formação do nosso caráter.
Eu, até hoje, não conseguiria apontar, por exemplo, 3 datas. Dizer: olha, aquele dia tal foi importantíssimo para mim porque a partir de então aprendi a ... tal coisa.
Esses dias existem, claro, pra todo mundo. Mas o que estou tentando dizer é que, para a história, esses dias passam como mais um dia... não ficam destacados na folinha do calendário.
Pois hoje, 28 de janeiro de 2009, foi um dia para entrar na minha história.
E o fato de estar escrevendo isso agora, é uma tentativa de preservar isso. Arquivar. Não deixar dúvidas. Foi neste dia, e em nenhum outro, que aprendi e experimentei algumas sensações que acredito, me fazem ser a partir de hoje, uma pessoa um pouco diferente da que acordou hoje cedo.
Pela primeira vez abandonei uma casa. Deixei pessoas para trás. Deixei amigos que, honestamente, não faço a menor idéia de quando vou voltar a vê-los. E é essa sensação, que por enquanto é apenas uma perigosa suposição, o fator determinante para criar aquelas perguntinhas: o que essas pessoas vão lembrar de mim? E por quanto tempo?
As fotografias que fiz das pessoas da casa (e entreguei aos interessados, é bom que se diga) podem contribuir alguma coisa nesse sentido? O que significa, no fim das contas, uma fotografia? E se o foco não estiver 100%, faz alguma diferença?

Saí da casa carregando minhas três malas, e pensando em quantas histórias aquele lugar ainda vai proporcionar... quantas risadas aquela sala vai ouvir... quantas novas lembranças eu simplesmente vou perder?
A última pessoa que vi, abanando da janela, foi a Mariana. Entrei no carro do (agora) ex-chefe, que ia me levar até Glenwood. Estava nevando. Um cenário e tanto.

Aqui começa a outra experiência inesquecível do dia.
Antes de pararmos na estação de trem, o Vance preparou uma surpresa... ou, um bônus, como ele chamou. Paramos na Glenwood Hot Springs Pool. Segundo ele, é a maior extensão de águas termais do mundo.
Sim, para quem vai todo ano a Piratuba, pode não achar grande coisa. Mas eu nunca havia entrando numa coisa dessas.
E como vocês já leram aí em cima... sim, estava nevando. Então, imaginem uma piscina com água a 40º C, cercada por montanhas enormes cobertas de neve, e ainda por cima nevando!
Meu corpo experimentou ali, durante aquela hora e pouco, sensações que eu nem sabia que pudessem existir. Como chamar o que talvez não tenha nome? Que sensações foram aquelas?

Exatamente em frente, está a estação de trem de Glenwood. Pela primeira vez, entrei num trem. Não foi como nos filmes. O comandante, mesmo recebendo os passageiros do lado de fora, não era muito simpático, e o trem em si me pareceu uma coisa muito estranha... é alto, com janelões enormes, poltronas super confortáveis, um ar moderno demais na minha opinião. Mas a vista foi algo que realmente me impressionou. Já haviam me alertado que este trajeto é lindo. Mas ficar 4 horas olhando essa vista, altera as emoções de qualquer pessoa que está com uma máquina fotográfica nas mãos. Foram 297 cliques, pra selecionar essas imagens aí.
Dia inesquecível. Tudo.

10 dezembro, 2008

Começou



Eis que a viagem começou.
E o primeiro acontecimento digno de um registro foi encontrar esse cara aí... o Guilherme (que segundo ele, já tínhamos nos encontrado na Intercultural em Porto Alegre - para variar, eu não lembro disso)
Ele está indo pra Caroline da Norte, e numa espera de 3 horas num lugar como o aeroproto de Guarulhos, compartilhar as inseguranças é sempre uma das melhores coisas que podemos fazer.

(foto feita com a webcam do laptop. ainda estava sem lente na máquina)

Aos fotógrafos viajantes:
assim que desembarquei em SP, fui na receita federal. Ninguém para atender.
Saí, e vi uma mulher fumando.
Ela perguntou: tá com pressa?
É, um pouco... tenho um vôo, sabe como é.
Aqui não dá nem pra dar uma fumadinha. O que você quer declarar?
Um laptop e uma máquina fotográfica.
De quantos megapixel é a máquina?
6.
Não precisa. Só acima de 10.
Deixa eu ver o laptop.
...
Não precisa... dá pra ver que é usado.

Pronto, literalmente...
'nada a declarar'