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31 março, 2010

Mallary - óculos #14

Lá vou eu denovo tentar falar sobre processo criativo:
sabe a camiseta que você nem vê nessa foto?
Pois é, foi olhando pra ela que tive a ideia de usar as luzinhas de Natal. No início pensei em colocá-las de fundo, riscadas e desfocadas. Aí a Mallary sugeriu de vestir as lâmpadas, como se fosse um colar. A mesma camiseta apontou qual óculos seria utilizado (ambos tinham tons frios predominantes) e a partir disso, colocar a gelatina azul na frente do flash (que disparava na 2ª cortina, com câmera em baixa velocidade) foi uma consequência natural.
Nos primeiros cliques achava que deveria haver uma relação direta entre a camiseta e todo o resto. Por isso o quadro era mais aberto, e as mãos não escondiam a roupa.
Mas talvez influenciado pelo ritmo da música (claro, foto assim tem que ter música) acabamos explorando as mãos. Deu nisso.
Ou seja, tudo começou com um elemento que na foto escolhida, nem aparece.

30 março, 2010

Mallary - óculos #13

Aqui vai algo inusitado:
numa parede, entre a cozinha e a sala, a Mallary decorou a casa com aproximadamente umas 15 fotos - páginas inteiras - de revistas variadas. Todas as imagens são anúncios ou reportagens de moda. Mas bem no meio dessa colagem, temos o retrato de nosso amigo Clint Eastwood.
Infelizmente não encontrei o crédito dessa foto. Se alguém souber, por favor comente.
Conforme mencionei dias atrás, nessa fase os óculos já não recebem o destaque de antes. O mundo ao redor parece mais interessante.



Caught

Push
Push

Tangled and wrapped
in a web I cannot unwind

Lie
Lies

I tell everyday
to get away.
They only slither

Tighter
Tighter

choking me
If I let just
one
slip
I will fall away, free--
All will unravel. But

it will be your
heart that is broken

Not
mine

Mallary Anderson
2008

29 março, 2010

Mallary - óculos #12

Além da coleção de óculos, a Mallary trouxe para cá também a sua gata.
E vou confessar, essa foi a foto mais complicada da série. Conseguir acalmar o bicho com esses óculos na cabeça levou mais de meia hora.



A poesia escolhida foi escrita para a avó dos chás.


Bangarang

How do you describe someone
Who has made you who you are,
Someone who has painted
the Gold in your soul,
and brushed each stroke of
color that fulfills your life.

How do you thank someone
For helping you to see,
Who sprinkled magic fairy dust
So you could fly away,
Who read to you of worlds beyond,
To brighten up your own.

How do you tell someone you love her
For the tiny things she’s done,
The night “Tally Po” became a nightmare,
The time when thunder and lightening
Shattered the serenity.
Each time she was there,
To help you be brave.

This is how I’ll she you Nan,
That I will never forget
The times we spent through all the years,
In the cellar,
Painting, laughing, creating.

I’ll live my life through enchanted eyes,
Knowing you are always there,
To be my Tabbitha Cat.

Mallary Anderson
2005

24 março, 2010

Mallary - óculos #11

A fase vamos ali ao lado fazer uma foto rapidinho está oficialmente encerrada.
Iniciamos com esta uma série de imagens temáticas: o foco é a situação, o ambiente - ou como diria Danilo Russo, a historinha - e não mais simplesmente a Mallary de óculos.
Não lembro se foi antes, durante ou depois da jalapeño, mas tenho certeza que foi naquela noite. Assim que coloquei os olhos na camisa xadrez, pensei no Terry. E aí, já viu... dispensei a sombrinha, tripés, o conceito de luz lateral, e coloquei o flash em cima da câmera.
Ali percebi que poderia tentar uma desconstrução da Mallary. Sobrexpôr valendo o flash, com gelatina azul (1/2 CT Blue), disparando na 2ª cortina, baixa velocidade de obturador (1/7), lente em grande angular, WB em 2500K. Ou seja, fazer tudo errado.
A poltrona que foi omitida na foto do Charles e nas fotos da Thamyris e do Brian aqui funcionou para moldar o corpo da Mallary. De repente, ela puxa da bolsa o que - para mim - é o mais grave desvio de personalidade até o momento: assim como todas as nossas tias, ela também tem uma SONY Ciber-shot. Ok, pra essa cena valeu.

Pedi que escolhece um de seus textos para a foto. Na tarde de ontem, durante a provável última nevasca da temporada, escreveu isso:




Sitting in a hut atop a mountain peak


rather cold, but glad for the tiny space heater and free
hot chocolate. When I arrived, the door was snowed
shut-- it hasn't stopped snowing yet. I cannot see
the distant mountains, barely the back Flyer. With only
music as company, I nod and sway to Bono's voice
and wonder where exactly to go "When the Stars Go
Blue." My book of poetry sits open before me, but I find
it difficult to become inspired. Funny, when I sit at the top
of Chili Express, I feel I could write a great American novel,
or a catchy song that would transcend region, culture, creed--
and give voice to the exact splendor spread ten thousand
feet below me. Yet here I am now, in the shelter
of the photo hut, pleasantly warm and fed, without
the slightest notion of inspiration. I will press on, though,
to find that hint, that trigger which will propel ideas
and dreams beyond space heaters, snowed shut shacks
and bored mountain photographers.

Mallary Anderson
24 de Março de 2010

23 março, 2010

Mallary - óculos #10


Outra foto realizada num intervalo de 5 minutos.
Desta vez, ela sugeriu o local, eu o óculos.

22 março, 2010

Mallary - óculos #9

Temos 5 minutos, vamos ali fora - sol das 3 da tarde.
Alguns cliques, e no final ela resolve mexer o cabelo. Mudou tudo.


19 março, 2010

Mallary - óculos #8


Eu ainda não descobri se esse blog é mais acessado pelos meus pais, ou pelo Ganda. Esse último está me cobrando descrições sobre o processo criativo das fotos.
Pô Ganda, tu acha que é assim, é?
Aqui não é o blog do Joe McNally.
É inevitável: esse tal de processo criativo (não me sinto confortável com essa expressão) é diretamente influenciado pelo que me cerca - as pessoas, locais, e o que tenho a disposição em termos técnicos.
O projeto dos óculos da Mallary, por exemplo. Eu não tive essa idéia do nada. Primeiro eu conheci uma pessoa que aparecia a cada dia com um óculos diferente. Interessado naquilo, perguntei quantos ela tinha - mais de 25 só aqui em Angel Fire. Com essa informação, foi irresistível para mim propor um retrato para cada óculos. E não é que ela gosta da idéia e topa a brincadeira?
A história por trás de cada foto depende basicamente do óculos em questão - cor, formato, estilo. Isso define o fundo, a expressão dela, e muitas vezes a luz que vai ser utilizada.

Agendamos essa foto na casa dela. Ambiente novo, levei o kit básico: 1 tripé, 1 sombrinha difusora e o flash 580EX II. É sempre a Mallary quem escolhe o óculos, e naquela noite esse preto foi o que saiu da caixa. Eu já estava há dias pensando quando faríamos uma foto p&b. Olhando pro óculos e sentindo o humor dela naquela noite, não tive dúvidas. Pedi pra ela trocar de roupa - eu queria o preto dos óculos, branco na roupa, e meios tons na pele - por isso também um figurino que não cobrisse todo o corpo.
Vamos seguir nessa linha até a foto #10. A partir daí, virão mudanças. Cada vez mais temos conversado que este é um projeto em conjunto, e estou querendo acrescentar trechos de suas poesias às fotos. Mas para isso, o estilo das imagens deve mudar. Aguardem.

14 março, 2010

Mallary - óculos #7


Nas 72 horas que antecederam essa foto, nevou 58 cm - segundo o relatório do resort.
E lembrando que estamos a uma semana do início da primavera.

11 março, 2010

Mallary - óculos #6


Até a pequena e inocente Angel Fire está se mobilizando para esse projeto. Estou começando a receber idéias, sugestões para as fotos. Essa devo dizer que começou no caixa do banco. Imagine que na agência do Bank of America você pode se servir de café, biscoitos de chocolate, ou... pirulitos. O Alex soltou do nada: faz uma foto da Mallary com pirulito.
Como eu já conhecia o óculos do dia, escolhi o pirulito pela cor que mais se aproximava da armação.
Ok, mas e o que mais...? Como ela vai segurar? Como vamos ver a cor do pirulito? Qual a expressão, sensual ou extrovertida? Tentando achar uma imagem para essas perguntas, veio a idéia de acrescentar um braço. E quem estava a disposição no momento, era o Charles.

08 março, 2010

Mallary - óculos #4


E esse chá?
Coisas da minha avó... antes de vir pra cá, ela me deu uma caixa. Nunca vi outro tipo chá em sua casa, que não fosse esse. Sempre chamou de spice tea.

05 março, 2010

Mallary - óculos #2


Perguntei o porquê da escolha desse óculos:
Sempre depende do humor quando acordo... essas pedrinhas passam uma sensação de alegria, e as lentes escuras funcionam como uma máscara, pra esconder o real mau humor de hoje de manhã.

03 março, 2010

Mallary - óculos #1

Tenho acompanhado o envolvimento de alguns fotógrafos numa insanidade batizada de 365 Project. A coisa toda ganhou grande repercusão ano passado com um sujeito chamado Dustin Diaz. A idéia é bastante simples: publicar 1 foto por dia (na web), durante todos os dias do ano. O Zack Arias embarcou nessa início do ano. As regras dele: não valem fotos de trabalhos ou acervo. O material deve ser inédito (fotos ou vídeos), com descrição, e exclusivamente pensado para o projeto.
Fiquem tranquilos, não estou aderindo. Minha ambição é bem mais modesta. Apresento a Mallary e sua coleção de óculos.



Ela é do Texas, trancou este semestre o curso de Letras para repensar a vida, e trouxe aqui para Angel Fire apenas 25 óculos de sol (o restante ficou em Dallas). Como pretendo ficar aqui até o final do mês, combinei com ela: todos dias sairei de casa com a câmera fotográfica, e ela por sua vez com um óculos diferente. Pretendemos chegar até o final da temporada sem repetir nenhum.
Alerta: não esperem nenhuma extravagância - ela disse que até hoje nunca pagou mais de 6 dólares por um óculos.

Canon 5Dm2, 24-70mm f/2.8L USM, prioridade de abertura (2.8), ISO 50.